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O publicitário Marcos Valério, condenado a 36 anos de prisão no caso do “Mensalão do PT”, assinou nesta semana um acordo de delação premiada. O acordo firmado entre Valério e a Polícia Federal (PF) tem 60 relatos de episódios de supostas irregularidades que foram rejeitadas inicialmente pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pelo Ministério Público Federal de Minas Gerais (MP-MG).

Marcos Valério conseguiu o acordo ao fazer declarações envolvendo os ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso e os  senadores Aécio Neves e José Serra.

Para que a delação de Valério seja efetivada, o acordo firmado entre ele e a PF, precisa ser homologado no Supremo Tribunal Federal (STF), onde está em análise.

Marcos Valério, também é réu, acusado de operar desvio, por meio de suas agências de publicidade, a SMP&B e a DNA Propaganda, para financiar a fracassada campanha de reeleição, do então governador de Minas Eduardo Azeredo (PSDB) em 1998.

Segundo narrativa do publicitário, o esquema de empréstimo fraudulentos do Banco Rural e ainda repasse de R$ 1 milhão da Usiminas via caixa dois beneficiaram também campanhas de FHC (1998), Aécio (2002) e a Serra (2002). A Siderúrgica também foi usada na eleição de Lula em 2002, conta Valério.

Os anexos afirmaram que Serra atuou, após perder a eleição presidencial de 2002, para resolver pendências do Banco Rural e, em troca, teve R$ 1 milhão de dívidas de campanha, pagos pelo banco por meio da SMP&B.

 Valério relata, nos anexos apresentados ao Ministério Público, pagamentos de propina em troca de obtenção de contratos para sua agência. Durante o governo de FHC, afirma, a DNA Propagandas repassou a Aécio 2% do faturamento do seu contrato com o Banco do Brasil, que havia sido arranjado pelo senador com o aval do ex-presidente.

O publicitário disse que no governo Lula, pagava R$ 50 mil por mês ao ex-ministro José Dirceu (PT) como acerto por uma conta de publicidade dos correios. A troca de favores teria se repetido em órgãos como Câmara dos Deputados, o Ministério dos Esportes e a Assembleia de Minas, entre outros.

Valério disse ainda que, junto com o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, articulou um encontro entre o banqueiro Daniel Dantas e o ex-ministro Antônio Palocci para resolver problemas do Grupo Opportunity com o governo Lula.

Em troca, a Brasil Telecom, controlada pelo grupo, contratou serviços superfaturados do publicitário Duda Mendonça no valor de R$ 12 milhões. Os anexos relatam ainda uma série de episódios envolvendo propina, como pagamento de uma reforma no estádio Morumbi e em prefeituras mineiras.

Na reportagem desta quarta-feira (26) de Lucas Ragazzi do jornal O TEMPO, a delação do publicitário Marcos Valério, operador do “Mensalão”, atinge de cheio políticos de Minas que, até então, não apareciam entre as principais figuras dos casos, como o Ex-Secretário de Estado de Governo, Danilo de Castro (PSDB), o ex-deputado estadual e Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Mauri Torres e o Ex-Ministro dos Transportes, ex-deputado e ex-presidente da (ALMG) Anderson Adauto (PRB).

Marcos Valério também afirma ter realizado repasses ao ex-ministro Anderson Adauto na época em que ele havia se tornado presidente da ALMG, em 1999. “Quando ganhamos a conta de publicidade da ALMG, passamos a fazer os repasses para uma conta em nome de Anderson Adauto”, conta o empresário.

Ainda segundo Valério, durante todo o tempo da presidência de Adauto na ALMG (1999 a 2001) foram destinados recursos para compra e reforma de um apartamento em Belo Horizonte. “Os recursos foram entregues em dinheiro vivo para pagar as despesas de mão de obra do apartamento, além do material de construção”, completa.

De acordo com O TEMPO, Valério conta que na disputa do governo de Minas em 1998, o ex-senador Clésio Andrade teria pago diversos deputados da base governista na ALMG para que ele fosse indicado como vice na chapa de Eduardo Azeredo (PSDB), que tentaria a reeleição.

Marcos Valério cita os nomes dos deputados Carlos Melles, Bilac Pinto, Sebastião Costa e Paulo Piau, como supostos recebedores de repasses. Além destes, teriam sido realizados pagamentos a pessoas ligadas a Azeredo para “convenvê-lo” a aceitar a indicação de Clésio Andrade, como o ex-deputado Almicar Martins.

Ainda na reportagem do jornal O TEMPO, o publicitário citou ainda repasses de recursos ilícitos, via agência DNA ao ex-secretário de saúde Marcus Pestana (PSDB) que ocupava  pasta durante a gestão de Aécio Neves a frente do governo de Minas. Hoje Pestana é deputado Federal pelo partido.

Também teriam recebido caixa 2 segundo Valério, Custódio Mattos, ex-prefeito de Juiz de Fora. Os anexos indicam caixa 2 ao ex-deputado Márcio Kangassu (PPS), que teria coordenado a realização do Fórum das Américas em Minas, no qual a agências de Valério operaram.

 

 

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