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O empresário Joesley Batista, dono do grupo JBS, chamou o presidente da República, Michel Temer, de chefe “da maior e mais perigosa organização criminosa” do Brasil em entrevista publicada na edição desse final de semana da revista “Época”.

Na entrevista, o dono do frigorífico JBS, delator da Operação Lava Jato, também reafirma as denúncias que fez ao Ministério Público e à Polícia Federal contra integrantes das cúpulas do PT, PMDB e PSDB. A entrevista do empresário ocupa 12 páginas edição impressa da revista Época.

Segundo Joesley Batista, tudo começou há cerca de 10, 15 anos, quando surgiu grupos com divisão de tarefas: um chefe, um operador e um tesoureiro. De acordo com o empresário, são organizações criminosas que existem para ganhar dinheiro cometendo crimes. Joesley afirmou que esses esquemas organizados começaram no governo do PT e diz que “Lula e o PT” institucionalizavam a corrupção com a criação de núcleos, divisão de tarefas entre integrantes, em estados, ministérios, fundo de pensão e bancos, entre os quais o Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDS).

Na entrevista, o empresário detalha sua relação com o presidente Michel Temer iniciada em 2009, quando o peemedebista ainda era vice-presidente de Dilma Rousseff. Joesley disse que, no segundo encontro com Temer deu o número de seu celular e que os dois passaram a trocar mensagens.

Ele afirmou ainda que frequentou o escritório e a casa do presidente em São Paulo e o Palácio do Juburu, residência oficial do vice-presidente em Brasília. O empresário contou ainda que Temer já esteve em sua casa e que foi no seu casamento. Ele narrou que a relação entre eles era institucional, de um empresário que precisava resolver seus problemas e que via em Temer a condição de resolver problemas. Acrescentou que achava que Temer via nele um empresário que poderia financiar campanhas – e fazer esquemas que renderiam propinas.

Joesley na entrevista afirmou: “O presidente Michel Temer é o chefe da Orcrim, Organização Criminosa da Câmara. Temer, Eduardo Cunha, Geddel Vieira Lima, Henrique Eduardo Alves, Eliseu Padilha e Moreira Franco. É o grupo deles. Quem não está preso, está hoje no planalto. Essa turma é perigosa. Não pode brigar com eles”.

O empresário confirmou que manteve pagamentos a Eduardo Cunha e Lúcio Funaro mesmo depois que eles foram presos. Disse que virou refém de dois presidiários. Joesley disse que Cunha tinha indicado um mensageiro, um homem chamado Altair. Passado um mês de prisão, o Altair apareceu, disse que a família do Eduardo precisava e que ele estaria solto logo, Joesley contou que foi pagando, em dinheiro vivo, ao longo de 2016.

Joesley Batista contou que para o caso de ser preso, Lúcio Funaro indicou como mensageiro primeiro o irmão, depois a irmã. E que seguiu pagando mesada. E que Eduardo Cunha e Funaro diziam que confiavam nele, pediam para que ele cuidasse da família deles e afirmavam que não delatariam. E que mandavam recados, “você está cumprindo tudo direitinho, não vão delatar”.

Joesley afirma que o presidente Temer tinha como mensageiro o ex-ministro Geddel Vieira Lima, que o procurava de 15 em 15 dias em uma agonia terrível e que tinha que assegurar o silêncio de Cunha. Geddel estava sempre querendo saber se estava tudo certo, se ia ter delação, se Joesley estava cuidando dos dois e dizendo que o presidente estava preocupado e quem estava incubido de manter Lúcio Funário e Cunha calmos, era ele.

Na entrevista o empresário Joesley Batista disse que até o fim do ano passado, continuava conversando bastante com os políticos tentando entender qual seria a solução para seu problema, e que até dezembro, acreditou-se que a solução seria aprovar a anistia ao caixa 2 e a lei de abuso de autoridade. Com a lei do abuso, acreditava-se que se iria segurar a Lava Jato. E com a anistia do caixa 2, acreditava-se que se legalizavam as coisas erradas do passado.

Joesley disse que era o presidente Michel Temer quem comandava esse movimento. Que cabia a Geddel a anistia ao caixa 2 e ao senador Renan Calheiros o projeto de abuso de autoridade. Mas os dois assuntos morreram. A recuperação econômica começou a vir, o brasileiro não iria mais para rua e eles poderiam abafar a Lava Jato.

Sobre o por que decidiu delatar, Joesley Batista exclamou: “iríamos esperar o que? ser presos, a empresa quebrar, causar desempregos, dar prejuízos ao BNDS, à Caixa, ao mercado de capitais, aos credores?”. Ele acrescentou que quando percebeu que as coisas não iam mudar e não havia o que esperar, que os políticos não estavam entendendo o que estava acontecendo com o país, começou a registrar as conversas deles. E foi o Temer. Joesley disse que gravou conversa com o presidente Michel Temer para saber se ele continuava querendo o silêncio de Cunha e se tinha que continuar pagando pela não delação do deputado cassado.

O empresário sabia que estava aumentando a chance de trocar de lado e partir para a colaboração com o Ministério Público. Que era a única saída que estava enxergando. Que a maneira mais efetiva que ele tinha de colaborar no combate a corrupção no Brasil era mostrar para os procuradores que, apesar de três anos de esforços, nada mudou, tudo continua igual. Os políticos, no topo, não mudaram nada. Isso começa com o número 1, com o  presidente da República.

A revista Época perguntou então quem é o número 2. Joesley disse que é o senador afastado Aécio Neves, porque era a alternativa, teve 48% dos votos dos brasileiros, e que precisava fazer uma ação que fosse indiscutível para o entendimento da população e do Ministério Público. Registrar como se dão as conversas com o número 1 da República e com o número 2, que seria a alternativa com ao 1.

Se o Brasil não entendesse que o 2 era igual ao 1, o Brasil ia achar que a solução era substituir o 1 pelo 2. Mas o 2 é do mesmo sistema. Joesley contou que tanto o PT quanto o PSDB usaram o mesmo sistema: caixa 2, nota fria, compra de coligação.

 

 

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