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Dois pacientes que aguardavam na fila do Sistema Único de Saúde (SUS) por um transplante renal foram beneficiados, em Uberaba, com os órgãos de um mesmo doador de Uberlândia. As cirurgias foram realizadas, simultaneamente, no Mário Palmério Hospital Universitário (MPHU), na madrugada da última sexta-feira (11). Foi a primeira vez, este ano, que a equipe médica transplantou duas pessoas ao mesmo tempo.

A aposentada Esmania da Silva Lima, de 54 anos, veio de João Pinheiro para Uberaba receber o órgão. Ela estava na fila de espera há sete anos. Hipertensa, dona Esmania precisou de um transplante depois que a doença comprometeu por completo os rins dela. “Foi uma correria. A partir do momento que eu recebi a ligação tive umas duas horas mais ou menos para arrumar o carro e deslocar de lá. Chegamos aqui à noite”, conta a paciente, que se recupera em um dos quartos de enfermaria do hospital.

O supervisor de qualidade Rodrigo da Cruz Machado, de 40 anos, aguardava pelo transplante renal há três anos. Ele saiu de Araguari para realizar a cirurgia no MPHU. Para Rodrigo, o sentimento é de renascimento. “É uma nova vida, um recomeço. É Deus que dá uma chance e traz essa benção para a gente. É triste saber que do outro lado tem uma família que perdeu um ente querido, só que ela fez um bem para várias pessoas doando os órgãos, que podem ter salvado cinco, seis vidas. Essa família fez um bem danado para mim e eu agradeço eternamente por isso. Agora, eu vou poder tocar a minha vida, continuar a viver tranquilo, fora das máquinas e voltar a trabalhar”, comenta emocionado.

O tempo de isquemia, ou seja, da retirada dos rins do doador, em Uberlândia, e a cirurgia de implante nos receptores, foi o menor já conseguido pela equipe do MPHU, apenas 9 horas. “Isso possibilitou uma rápida e boa evolução. Os pacientes apresentam ótima recuperação, com alta programada em menos de sete dias de internação”, ressalta o coordenador do Serviço de Nefrologia, Diálise e Transplante Renal do MPHU, Fabiano Bichuette Custodio. As cirurgias foram coordenadas pelos médicos urologistas Marcelo Bianco e Sérgio Anacleto.

Balanço positivo

Em 2018, o hospital realizou 20 transplantes renais e fechou com saldo positivo em relação aos anos anteriores. Desde 2015, o Serviço de Transplante Renal do MPHU já realizou 47 procedimentos, sendo 29 de doadores falecidos e 18 de doadores vivos. “Os números refletem não só um crescimento em quantidade, como, também, em qualidade: 96% de sobrevida e 94% de rins funcionantes”, destaca Bichuette.

A expectativa do hospital para 2019 é atingir a meta inicial de dois transplantes por mês, com possibilidade de um crescimento ainda maior. “Para atingir esse objetivo é necessário, não somente aumentar o número de inscrições dos pacientes na lista de transplante, como, também, a conscientização das pessoas sobre a importância da doação de órgãos. Um doador pode salvar até oito pacientes que estão na fila”, explica o médico.

Segundo ele, a recusa familiar sobre a doação de órgãos de pacientes falecidos ainda responde por mais de 40% das perdas de possíveis doadores. “A maior dificuldade é aumentar o número de doadores falecidos, pois, embora o número de transplantes aumentou, a fila de pacientes à espera de um órgão cresceu ainda mais. Por isso, a necessidade da reativação da OPO (Organização de Procura de Órgãos e Tecidos) em nossa região, para a procura de potenciais doadores nas UTIs e unidades de emergência, não só em Uberaba, como de toda nossa região”, ressalta Bichuette.

Atualmente, além da realização de transplantes renais, o hospital faz a captação de córneas, fígado e rins na região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. A partir da próxima semana, o MPHU dará mais um passo importante e passará a realizar também o transplante ósseo. A primeira cirurgia está agendada para o dia 22 de janeiro

Fotos: ASSCOM/Uniube

 

 

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