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A presidente do Hospital da Criança (HC) fez um desabafo sobre os problemas enfrentados pela instituição. Ana Paula Bosi Ribeiro Ferreira esteve no Plenário da Câmara, participando da sessão desta quarta-feira (05). Outros integrantes da equipe também estiveram na CMU, como a médica anestesista e membro do Conselho Fiscal, Cristina Maria Pereira Mauad Resende, e a otorrinolaringologista Sabrina Sarreta.

Além de discorrer sobre as dificuldades vividas pelo HC, as médicas criticaram as atitudes de pessoas que vão para as redes sociais atacarem a instituição, segundo elas, sem realmente conhecerem o trabalho realizado. A presidente deixou claro que este tipo de atitude, além de prejudicar a imagem do hospital, atrapalha muito o dia a dia de quem trabalha no local.

Ana Paula agradeceu muito pelo apoio da equipe, médicos, enfermeiros e outros profissionais. Ela lembrou que o HC é um dos hospitais pediátricos do País, que precisava ser mais valorizado. Segundo ela, trabalhar no local, além de uma tortura financeira, é uma luta diária.  Ela disse ainda que é justamente nesta época do ano, de março a junho, que ocorre aumento de demanda.

Segundo Ana Paula, a maior parte das reclamações é sobre a demora do atendimento, mas já verificou que, inclusive, em outras cidades, o problema é recorrente e não é exclusivo de Uberaba, uma vez que a demanda é muito maior que a estrutura. “Os profissionais estão ficando doentes por causa da pressão. Qualquer coisa que acontece, uma criança vomita, e tem alguém filmando e colocando na internet”, desabafou a presidente.

“Gostaria que todos conhecessem de perto o funcionamento do Hospital da Criança, eu sou uma mulher séria e o hospital também, é tudo muito transparente. Levantar qualquer suspeita na internet não é aceitável”, afirmou, se referindo especificamente a publicações realizadas recentemente pelo vereador Thiago Mariscal (MDB). Ela deixou claro que não é de jogar a toalha, mas se continuar neste nível, pode mudar de ideia. “Como voluntária, posso entregar o hospital a quem sabe administrar, seja o secretário de Saúde, ou mesmo um vereador que almeja ser secretário”, acrescentou.

Ana Paula disse que o convênio com a Prefeitura para o funcionamento da UPA infantil é temporário, e pode ser suspenso a qualquer momento. Ela apresentou alguns números dos atendimentos realizados pelo HC. O comparativo dos cinco primeiros meses de 2019 com o mesmo período de 2018 mostram o quanto foi significativo o aumento no número de atendimentos, principalmente nos últimos três meses. Os resultados são reflexos do período em que o hospital começou a funcionar também como UPA, nos últimos dois meses.

No ano passado foram 2.432 atendimentos em janeiro, 2.531 em fevereiro, 4.401 em março, 4.380 em abril e 4.098 em maio. Este ano foram registrados 2.023 atendimentos em janeiro, 2.173 em fevereiro, 5.478 em março, 6.477 em abril e 6.841 em maio. Durante todo o ano de 2018 foram 45.200 atendimentos, enquanto nos primeiros cinco meses de 2019 o número já atingiu os 22.992 atendimentos. Nenhum óbito foi registrado neste período de um ano e cinco meses.

Já as internações referentes aos meses de março, abril e maio de 2019, somam o total de 983.

De acordo com a presidente do HC, ela tem 32 anos de pediatria e ama cada paciente que atende. Ela reforçou que algumas pessoas estão publicando vídeos e denúncias na internet, que não condizem com a realidade.

“Todos são bem-vindos ao hospital, mas não na hora que querem e do jeito que querem”, disse. Ela lembrou que é um hospital privado, apesar de ter convênio com a Prefeitura. “Deixem a gente trabalhar em paz”, afirmou Ana Paula, falando em nome dos funcionários, representados no Plenário.

A médica anestesista Cristina Maria contou que está no hospital com muito orgulho e amor, há 36 anos. Ela fez residência no HC, onde passa noites, inclusive no bloco cirúrgico, atendem a todos, com ou sem convênio. Para ela, o que está acontecendo é um problema político.

“Eu peço que pensem mais em Deus, pois criticar é fácil, mas eu me sinto na obrigação de falar. Quantas vezes eu fiz plantões sozinha, porque o hospital não tem dinheiro para contratar. Ninguém está lá por causa de dinheiro. Nós vivemos para salvar vidas”, afirmou a médica, explicando que muitas vezes depende da ajuda de outros colegas, que não trabalham no hospital, para realizar atendimentos mais graves.

A otorrinolaringologista Sabrina Sarreta lembrou que o HC existe há mais de 50 anos, e é uma instituição filantrópica, pois quando foi criado não existia o Sistema Único de Saúde (SUS).

“Senhoras da sociedade montaram o hospital e médicos trabalhavam fazendo caridade, que continua sendo feita, pois o dinheiro que o SUS manda não paga 30% das despesas”, acrescentou. Segundo ela, muitos hospitais e leitos do SUS já foram fechados nos últimos anos, sendo que a população precisa do Hospital da Criança, hospital que precisa de ajuda.

“Gente para procurar e perguntar como pode ajudar não aparece ninguém. Os funcionários sofrem, pois dentre os hospitais da cidade, é onde recebem menos”, desabafou. Ela confessou que a direção só aceitou o desafio da UPA da Criança, pois iria fechar. 

Para Sabrina, o hospital está sendo usado para atacar o prefeito, para o qual não tem críticas ou elogios. “A única coisa que precisamos é de ajuda, e não de gente para atrapalhar. Se o contrato for rompido o hospital possivelmente será fechado e a população é que vai sofrer”, finalizou. 

O presidente da CMU, Ismar Marão (PSD), garantiu que o hospital vai ter todo o apoio que precisar para não fechar. Todos os vereadores se manifestaram. Almir Silva (PR) disse que qualquer um pode colocar a mão no bolso e ajudar e avaliou que parceria proposta pelo secretário de Saúde foi muito boa. “É preciso respeitar esta instituição, tratar com amor e responsabilidade. Se amanhã fechar as portas, para onde seu filho vai?”, questionou.

O vereador Samuel Pereira (PR) se comprometeu a procurar o senador Carlos Viana para tentar emenda em nome dos 14 vereadores. Alan Carlos (Patri) destacou a relevância do hospital para a cidade, enquanto Agnaldo Silva (PSD) se emocionou ao falar sobre a pressão que os profissionais do HC estão sofrendo. 

O líder do governo na Casa, Rubério dos Santos (MDB), disse que a decisão da Prefeitura de ampliar este convênio não nasceu do dia para a noite, e que foi pensado e estudado. Para ele é normal ter alguma dificuldade, até as adequações são necessárias.

Rubério fez um apelo às pessoas que tentam resolver problemas da saúde através de rede social, para que pensem melhor e que tentem ajudar de verdade. “Como jornalista que sou, sempre pensei no que falar, pois uma palavra mau dita, pode causar sérios problemas. É preciso respeitar o ser humano e o profissional”, concluiu.

Os vereadores Fernando Mendes (PTB), Ronaldo Amâncio (PTB), Chiquinho da Zoonoses (MDB), Elias Divino da Silva (PHS), e Cleomar Barbeirinho (PHS), também se solidarizaram e prestaram apoio ao hospital.

A vereadora Denise da Supra (PR) demonstrou indignação com a situação vivenciada pelos profissionais do hospital. “Como única mulher da Casa, eu fico indignada por ver pessoas covardes que atacam as profissionais, principalmente se forem mulheres”, comentou.

Denise analisou que a demora no atendimento é algo que não tem como evitar, uma vez que a cidade cresceu muito e mesmo assim o hospital consegue manter os trabalhos. Ela afirmou que detesta este negócio de “jogar para a galera e ser oportunista”.

“Isto não é admissível, é uma vergonha”, afirmou, contando que a médica (presidente do hospital) estava tremendo devido ao estado emocional. “Se tiverem alguma denúncia, que procurem o Ministério Público, e não fiquem publicando em redes sociais”, finalizou a vereadora.

O vereador Thiago Mariscal, que foi denunciado pelo hospital por conduta imprópria dentro da instituição, também se manifestou. Ele lembrou que é presidente da Comissão da Saúde e que, “ao contrário do que pensam, defende todos e principalmente a população”.

Ao mesmo tempo em que afirmou que os funcionários não são culpados dos problemas existentes, o vereador os acusou de serem coniventes com a situação. Mariscal ainda alegou que todas as semanas está no hospital, acompanhando tudo e que desde que começou o convênio, as pessoas estão enfrentando dificuldades. Mais uma vez o vereador criticou o prefeito Paulo Piau, alegando que o chefe do Executivo está usando o hospital politicamente.

O vereador Kaká Carneiro (PR) foi o último a se manifestar. Ele disse que tudo aconteceu muito rápido, e que foi um choque de gestão no hospital, o qual ainda está em um período de transição e de adaptação.

“O orçamento é o mesmo, para uma quantidade maior de atendimentos. Sozinho o Hospital da Criança não dá conta de atender toda a população da cidade”, avaliou Kaká.

O vereador disse ter conhecimento de que a Secretaria de Saúde pretende descentralizar os atendimentos ampliando, as UBSs nos bairros, inclusive com atendimento a noite, onde poderão ser resolvidos os casos mais simples, de baixa complexidade.

A presidente do HC, Ana Paula, contou que recentemente foi criada a Associação de Voluntários do Hospital da Criança, através da qual qualquer pessoa pode ajudar a instituição.

Fotos: Rodrigo Garcia

 

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