Assassino de geógrafo é condenado a 15 anos de prisão em Uberaba

O júri popular condenou e Cleone dos Santos foi sentenciado a 15 anos de prisão pelo homicídio duplamente qualificado do geógrafo Jefferson Claudio Lopes de Carvalho. O veredito foi dado no meio da tarde desta quarta-feira (16), em Uberaba. A pena foi de 14 anos pelo homicídio e de um ano por furto. O Julgamento durou cerca de 5 horas.

Foto: Gabriel Bonfim/G1

A condenação em primeira instância foi em regime fechado e o réu não poderá recorrer em liberdade. De acordo com a Defensoria Pública, há progressão de pena prevista após cumprimento de 2/5 da pena. O advogado de Cleone, o defensor público Marcelo Tonus de Melo, afirmou que a decisão do Tribunal do Júri é soberana e que não deve recorrer, mesmo não concordando.

“Apesar de haver elementos que deem respaldo à tese da defesa, também havia elementos que dão suporte à tese da acusação. De modo que a decisão tomada pelos jurados não se mostrava escandalosa, é manifestamente contrária à prova dos autos. Então, apesar de a Defensoria não concordar com a decisão, entende que um recurso não seria admitido”, disse o Melo.

O júri popular teve início na manhã desta quarta-feira (16) em Uberaba. Cleone dos Santos, de 25 anos, confessou ter matado o geógrafo Jefferson Claudio Lopes de Carvalho. O crime ocorreu em setembro de 2019, quado a vítima foi encontrada no apartamento onde morava, na região central da cidade.

Previsto para ser iniciado às 9h, o julgamento começou com cerca de 50 minutos de atraso por causa de questões relacionadas à escolta do réu, que está preso há um ano. O júri popular foi formado por sete pessoas. Cleone foi julgado por homicídio com duas qualificadoras: prática do crime por meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. A previsão era de uma condenação entre 12 e 30 anos de reclusão.

Jefferson Claudio Lopes de Carvalho tinha 43 anos quando foi achado morto pelo companheiro no prédio onde moravam, na Avenida Guilherme Ferreira, no dia 11 de setembro de 2019.

Segundo o Boletim de Ocorrência registrado pela Polícia Militar (PM), o companheiro de Jefferson contou que saiu para trabalhar à noite, deixando no apartamento a vítima e a filha do casal. Ao retornar, por volta das 6h15, encontrou o corpo no quarto do casal, no chão, ao lado da cama e sem roupas.

O porteiro do prédio disse à PM que um rapaz desconhecido tinha acompanhado a vítima até o apartamento e que, certo tempo depois, ele saiu com o rosto coberto por um lençol, seguiu até a garagem, abriu o carro de Jefferson, pegou um controle, abriu o portão eletrônico e foi embora a pé. A ação foi filmada por câmeras de monitoramento do prédio. O companheiro de Jefferson confirmou à polícia que o parceiro tinha relacionamentos extraconjugais.

A morte foi constatada por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A perícia da Polícia Civil foi acionada e o corpo encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML), onde foi confirmada morte por asfixia.

Cleone dos Santos , foi preso pela polícia civil oito dias depois, em uma casa próxima ao apartamento da vítima, na Rua Marechal Deodoro, no Bairro São Benedito. Durante depoimento, ele alegou que o homicídio foi acidental, segundo informações do delegado Cyro Moreira, titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).

O rapaz afirmou que esta não foi a primeira vez que ele e Jefferson teriam se encontrado e que Jefferson teria oferecido dinheiro pelo encontro. Cleone ainda disse que não tinha a intenção de matar a vítima, mas que houve um desentendimento e, por isso, cometeu o crime.

“Ele tentou justificar a morte dizendo houve uma discussão com a vítima no quarto e eles entraram em luta corporal. Então, ele aplicou um golpe ‘mata-leão’ na vítima, que desmaiou e bateu a cabeça na cama”, contou o delegado. O jovem, ao ser questionado pela Polícia Civil sobre o motivo de a vítima ter sido encontrada nua, disse que tinha tirado a roupa para procurar dinheiro.

“Na verdade, ele estava tentando mascarar um encontro sexual em troca de dinheiro. Ele diz que a vítima teria ofertado R$ 50 para que ele a acompanhasse até o apartamento”, afirmou o delegado.

De acordo com Cyro Moreira, foi constatado que Jefferson foi agredido fisicamente e depois morto por asfixia.

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