PSDB anuncia permanência no governo de Michel Temer

O partido PSDB, através do senador José Serra (SP) anunciou na noite desta segunda-feira (12) durante reunião da Comissão Executiva em Brasília, que o  partido permanecerá no governo do presidente Michel Temer.

Além dos integrantes da Executiva Nacional, estiveram presentes à reunião os quatros ministros do partido, deputados, senadores e governadores – entre os quais, Geraldo Alckmin (SP), Beto Richa (PR), Simão Jatene (PA) e Marconi Perillo (GO) – prefeitos de capitais – incluindo João Doria (São Paulo) e Arthur Vigilato Neto (Manaus) – e dirigentes regionais.

O PSDB detém o comando dos ministérios das Relações Exteriores, Secretaria de Governo, Cidades e Direitos Humanos e é um dos principais aliados do governo no Congresso. De acordo com o senador tucano, que foi ministro das Relações Exteriores, o partido “não fará nenhum movimento agora no sentido de sair do governo.” Segundo ele, a decisão tomada é que os quatros ministros tucano permanecerão do governo.

A relação entre o partido e o governo sofreu um abalo depois que surgiram as acusações feitas de executivos da JBS envolvendo o nome do presidente Temer. Investigado pela Operação Lava Jato, o presidente é alvo de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) por corrupção passiva, obstrução à justiça e organização criminosa. Há ainda a expectativa que o Ministério Público Federal apresenta uma denúncia contra ele nas próximas semanas.

A discussão sobre eventual desembarque vem sendo ensaiada há várias semanas, mas acabou adiada devido às pressões internas de tucanos contrários. A reunião da cúpula do PSDB, prevista para semana passada, chegou a ser postergada a fim de esperar o julgamento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na última sexta-feira, no qual a chapa Dilma/Temer foi absolvida das acusações de irregularidades na campanha de 2014.

Diante da crise política, o PSDB sofreu uma decisão interna. Há uma ala, especialmente entre os parlamentares mais jovens da legenda, que pressiona a saída do governo.

Para o presidente Temer, a permanência dos tucanos na base aliada será importante não só pela sustentação política, mas também porque o PSDB é um dos principais apoiadores do governo a aprovação das reformas enviadas pelo Planalto para o Congresso.

Segundo especialistas, Aécio Neves, senador afastado por ordem do Supremo por causa das delações dos executivos da JBS, articulou a permanência da legenda na base governista. Em troca, Aécio está de olho no apoio do PMDB no Conselho de Ética do senado, a fim de salvar seu mandato em caso de eventual processo por quebra de decoro. Ele foi denunciado ao STF por corrupção passiva e obstrução da Justiça.

Alguns interlocutores do presidente Michel Temer (PMDB) também tem sinalizado com o apoio à candidatura tucana nas eleições presidenciais em 2018.

 

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