Sérgio Moro dá prazo de 48 horas para defesa de Lula entregar recibos originais de aluguéis

O juiz Sérgio Moro determinou nesta sexta-feira (13) que a defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entregue em 48 horas os recibos originais de pagamentos de aluguéis do apartamento vizinho ao de Lula em São Bernardo do Campo (SP), que é investigado na Lava Jato.

“Os recibos deverão ser entregues na Secretaria deste Juízo e que os acautelará para submetê-los a perícia caso seja de fato deferida.”, determinou o juiz. A defesa do ex-presidente havia pedido uma audiência formal para a entrega dos recibos e a presença de um perito.

“Desnecessária audiência formal para entrega ou a presença de perito”, afirmou o juiz responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância. Moro afirmou que a defesa pode fazer cópias dos recibos antes de entregá-los.

A propriedade do apartamento faz parte da denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF), que acusa o político de receber propina da Odebrecht em decorrência de contratos entre a empresa e a Petrobras. Também é investigada a compra de um terreno onde, de acordo com os procuradores, seria construída a nova sede do Instituto Lula.

De acordo com a denúncia, o imóvel foi comprado por Glaucos da Costamarques, a pedido do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula. Ambos também são investigados na operação.

Registros em hospital

 

Nesta quinta-feira (13), o juiz Sérgio Moro oficiou novamente o Hospital Sírio Libanês para que informe se há registros de ingresso do advogado e amigo de Lula Roberto Teixeira para internação ou tratamento.

O intuito é esclarecer divergências sobre um encontro Glaucos Costamarques e Roberto Teixeira no hospital. Anteriormente, Moro havia solicitado informações sobre registros de Roberto Teixeira como visitante. Como resposta, o hospital informou que não havia registro.

Em depoimento, Glaucos Costamarques afirmou ter sido procurado por Teixeira, no final de 2015, quando estava internado no Sírio Libanês. O advogado teria dito, segundo Costamarques, que os pagamentos dos aluguéis seriam feitos a partir daquele momento via depósito bancário.

O contrato de locação do imóvel data 2011, conforme a força-tarefa da Lava Jato.

Teixeira, também em depoimento ao Moro, negou. Disse que encontrou Glaucos Costamarques, por acaso, no saguão do hospital e que o assunto da conversa foi a regularização da titulação do apartamento. De acordo com Teixeira não se falou sobre o aluguel do imóvel.

Roberto Teixeira, assim como Glaucos Costa Marques, é réu no processo. O MPF o acusa de lavagem de dinheiro.

Sobre o novo pedido ao hospital, o advogado de Lula Cristiano Zanin afirmou que o juiz Sérgio Moro age como investigador e acusador, fora de suas funções e sem imparcialidade.

“É repugnante que um advogado septuagenário, cardiopata e de saúde frágil seja perseguido dessa forma, tenha sua vida devassada, apenas porque o juiz não se conforma que a acusação ruiu”, diz trecho da nota enviada por Zanin.

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