Uberaba – Paulo Piau esteve no MEC em busca de apoio para Parques Tecnológicos

Ligados a universidade, os parques tecnológicos precisam de mais investimentos e apoio institucional para maiores resultados

O prefeito Paulo Piau esteve recentemente em Brasília onde participou de reunião para tratar de assuntos pertinentes aos parques tecnológicos. Foram apresentados dados estatísticos sobre espaços voltados à ciência, tecnologia e inovação pelo mundo e a solicitados mais investimentos e apoio institucional. O encontro no Ministério da Educação teve a presença, também, da secretária adjunta de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação (Sedec), Anne Nóbrega; da gestora do Parque Tecnológico de Uberaba, professora Raquel Resende e nomes ligados ao Núcleo de Tecnologias de Gestão (NTG / Universidade Federal de Viçosa) e academia – Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Instituto Federal do Triângulo Mineiro (IFTM) e, também, da Rede Mineira de Inovação (RMI). O grupo foi recebido pelo secretário de Educação Superior do MEC, Wagner Vilas Boas de Souza e pelo secretário de Educação Profissional e Tecnológica do Ministério da Educação, Ariosto Antunes Culau.

Na pauta, a preocupação dos envolvidos sobre o futuro dos parques tecnológicos no Brasil e incubadoras com comparativos com outros espaços no exterior que geram formação de profissionais de qualidade, emprego, renda e fortalecimento do desenvolvimento econômico e inovação.

Para o prefeito Paulo Piau, a reunião foi produtiva, mas é preciso resposta célere do governo federal para o avanço desses parques. “Os parques tecnológicos, via de regra, estão ligados ao Ministério da Ciência e Tecnologia, porém não existe um parque sem universidade, que, por sua vez, é mantida pelo Ministério da Educação. Nesse sentido, existe um desacordo de recursos, prejudicando o trabalho realizado nos Parques. Pedimos ao Ministério da Educação que acolha os 55 parques tecnológicos do País, a maioria recém-criada. Em Minas Gerais são quatro em operação – Uberaba, Viçosa, Belo Horizonte e Itajubá”, disse Piau.

Em Uberaba, de acordo com o prefeito, o Parque Tecnológico está sendo trabalhado há 30 anos, mas, foi operacionalizado a partir de 2013. “Ou seja, tem sete anos. É novo, em termos de parque”, citou. Ele, que é pesquisador da Epamig e, durante seu mandato como deputado federal, foi um dos autores do Projeto de Lei 77/2015, que visa estímulos ao desenvolvimento científico, à pesquisa, à capacitação científica e tecnológica e à inovação, destacou que os parques são fontes de conhecimento e precisam ser valorizados. “O Centro de Inovação que está sendo construído será um ponto de encontro da inteligência de Uberaba, envolvendo as universidades e empresas de pesquisa como a Embrapa e a Epamig. Além de ser um espaço de criação de novas startups e de instalação de empresas de base tecnológica. Tudo isso gera avanço tecnológico. Espero que logo nosso pedido seja atendido para que possamos avançar”, evidenciou.

Dados comprovam falta de investimento nos parques tecnológicos brasileiros 

A gestora do Parque Tecnológico de Uberaba, professora Raquel Resende avalia que o encontro é um passo importante para chamar a atenção do MEC para o apoio às universidades que estejam ligadas a parques tecnológicos, com rubricas específicas, além da necessidade de maior apoio institucional do governo federal.

Segundo Raquel, “os parques tecnológicos são geradores de inteligência, de riqueza, de negócios de alto valor agregado. Uma cidade que possua um em operação, como Uberaba, por exemplo, tem um tesouro nas mãos”, destacou Raquel citando que “nesses locais se concentram todos os elementos de um ecossistema de tecnologia: empresas de base tecnológica ou intensivas em conhecimento, startups, incubadoras, hubs, universidades, etc”.

Ainda segundo a executiva de inovação, muitos investimentos em empresas inovadoras vêm de organizações internacionais e uma cidade que possui um parque tecnológico em operação tem mais possibilidade de atrair empreendimentos assim.

A apresentação foi baseada nos dados do MCTI-InovaData-BR, uma plataforma de inteligência competitiva para integração, acompanhamento e desenvolvimento dos parques tecnológicos do Brasil e de suas empresas e organizações residentes nos complexos.

Reitores das universidades federais de Viçosa, do Triângulo Mineiro e do Instituto Federal do Triângulo Mineiro participaram da apresentação conduzida pela coordenadora do Núcleo de Tecnologia de Gestão da Universidade Federal de Viçosa (NTG/UFV), professora doutora Adriana Ferreira de Faria. “De acordo com os dados disponíveis, os parques tecnológicos em operação no Brasil abrigam mais de duas mil empresas, que faturam na ordem de R$ 4 bilhões/ano e empregam cerca de 40 mil pessoas. Mas, o mais importante, é que em sua maioria são parques jovens, com grande potencial de crescimento e impacto, se tivermos políticas assertivas de longo prazo. Os dados também nos indicam que a metade dos parques estão formalmente ligados às universidades, sobretudo as federais, ou localizados nas universidades”, afirmou a professora Adriana, que, ainda, salientou que praticamente todos os parques em seus conselhos deliberativos têm a presença das universidades.

Uma das instituições de ensino e pesquisa presentes no Parque de Uberaba é o IFTM. A reitora professora doutora Deborah Santesso ressaltou que o Instituto tem papel muito importante para a sociedade e pode contribuir para a recuperação econômica do País. “O investimento em inovação e nos parques tecnológicos, em parceria com as instituições, representa uma possibilidade para prosperarmos enquanto nação empreendedora. Por isso, entendo ser extremamente importante o investimento no desenvolvimento de novas tecnologias, mas também nas políticas para o empreendedorismo social de forma a trabalharmos as transformações que tragam benefícios, inclusão e valor social”, citou.

O reitor da UFTM, instituição presente no complexo, professor doutor Luiz Fernando dos Santos Anjo, reafirmou a importância do encontro. “Observamos que são estruturas que requerem tempo para se desenvolverem e se tornarem empreendimentos sólidos. Sempre fomentam desenvolvimento regional e os resultados costumam ser mais rápidos e eficazes quando há também envolvimento de empresas de referência. Foi uma oportunidade para afinar entendimentos quanto à importância de processos de inovação tecnológica atrelados ao desenvolvimento social”, pontua.

Fotos: André Santos

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