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Após apresentação de vídeo de 30 minutos, ele se dirigiu às mesas dos demais vereadores na tentativa de colher as assinaturas necessárias

 

O vice-presidente da Câmara Municipal, Thiago Mariscal (MDB) pegou os colegas de surpresa nesta quinta-feira (21) ao apresentar requerimento solicitando a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI). Ele queria conseguir as assinaturas necessárias para instaurar o procedimento, com o objetivo de investigar os serviços na área da Saúde no Município.

Mariscal, que também é presidente da Comissão de Saúde da Casa, apresentou no Plenário um vídeo editado, com aproximadamente 30 minutos de duração. No material, retirado de um documentário que tem quase duas horas, ele apresentou reportagens realizadas pela equipe do próprio parlamentar, da TV Record, trechos de reuniões da CMU, além de mostrar fatos ocorridos em datas anteriores.

No vídeo é citada a tentativa de criar uma Comissão Processante, resultante de CEI à época em que o contrato com a Pró-Saúde foi questionado. O caso foi encaminhado para o Ministério Público. Foram apresentadas, também, algumas entrevistas.

Mariscal alega que as promessas e compromissos do prefeito não foram cumpridos para a área, afirmando que o Município terceirizou a Saúde.

Mesmo assim, o vereador admitiu ter inserido no vídeo fatos ocorridos antes da atual gestão. Ele acusou a Prefeitura de mau uso do dinheiro público e até mesmo por situações que ele chamou de ‘homicídio culposo’ nas UPAs. O vereador pediu providências e em seguida começou a coletar assinaturas.

O vereador Agnaldo Silva (PSD), que é vogal na Comissão de Saúde, disse que não iria assinar por entender que o colega deveria ter respeitado os integrantes da Comissão e chamado para analisar a situação antes. Agnaldo deixou claro que não concordava com a forma como tudo estava sendo feito. Ele foi chamado de omisso pelo presidente da Comissão e reagiu a acusação, negando qualquer omissão.

O vereador Samuel Pereira (PR) defendeu a atual administração da Saúde. Ele afirmou que sob a administração da Pró-Saúde a situação era 20 vezes pior e que melhorou muito, desde então.

Samuel lembrou que a Funepu tem parceria com a Prefeitura para atendimentos de baixa complexidade nas Unidades de Pronto-Atendimento (UPAs) e que vai fazer o mesmo com o Hospital Beneficência Portuguesa.

O presidente da CMU, Ismar Vicente dos Santos “Marão” (PSD), da mesma forma, se recusou a assinar o requerimento. Ele lembrou que na época da Pró-Saúde foi realizada  investigação minuciosa pelos vereadores, que encontraram algumas falhas, mas nada que justificasse juridicamente o prosseguimento da apuração, que foi encaminhada ao Ministério Público. Ele também alertou que algumas imagens mostradas no vídeo são daquela época.

“Eu desafio qualquer pessoa a falar que na administração do Iraci [Neto, Secretário Municipal de Saúde] não melhorou a Saúde”, afirmou “Marão”, se referindo à saída da Pró-Saúde e estruturação física da rede. O presidente comentou que visitou as 24 UBSs da cidade, que foram todas reformadas, lembrando ainda da luta do secretário de tornar o Hospital Regional uma realidade, e de uma unidade que em breve será inaugurada no bairro Residencial 2000.

“Marão” ainda fez questão de lembrar que a Prefeitura e a secretaria estão se mobilizando para salvar o Hospital da Criança, com a criação de uma UPA infantil. “Se pegarmos imagens antigas, vamos ver todos os vereadores elogiando o trabalho do secretário”, disse o presidente.

“Da mesma forma que não pude votar na segunda-feira, não posso votar agora, por causa de cenas antigas. Não vou ser irresponsável de colocar em xeque uma das melhores administrações de secretários da Saúde que já passaram em Uberaba”, finalizou “Marão”.

O líder do governo, Rubério dos Santos (MDB) disse que a função do vereador é fiscalizar, mas com cuidado. Para ele, faltou informações, pois nas entrevistas mostradas, falam o dia e o mês, mas não o ano em que os fatos ocorreram.

“Imagens de pessoas com dores acontecem a todo momento, em qualquer hospital”, acrescentou. Segundo Rubério, o secretário tem feito um trabalho que merece elogios e as duas UPAs têm sido administradas em parceria com a Funepu. “Eu entendo que a saúde na cidade melhorou muito e, inclusive, já ouvi elogios de moradores de outras cidades”, finalizou o líder.

O vereador Alan Carlos da Silva (Patri), disse ter conhecimento do quanto as famílias e os profissionais que trabalham na área sofrem. “É um grande desafio para todos”, disse. Alan ressaltou que trata de suas questões de forma consciente, que tem liberdade de convicções pela sua formação ética e moral e que não aceita colocar nada goela a baixo. “Não vou assinar nada deliberadamente, sem ter mais conhecimento e o embasamento necessário. Eu entendo que a própria Comissão deveria ter trazido esta discussão. Não aceito ser pressionado”, finalizou.  

Recém-empossado no cargo, o vereador Elias Divino da Silva (PHS) disse que tem conversado com pessoas sobre a área da saúde e o que tem ouvido é que melhorou. Ele citou ainda que, em outras cidades, a situação é muito pior. “Tem que analisar e refletir”, disse ele.  

O vereador Ronaldo Amâncio (PTB) afirmou que em momento algum pretende ser omisso. “Tem que melhorar mais, mas entendo que já melhorou muito”, analisou.

Ronaldo Amâncio lembrou que a Funepu assumiu há cerca de um ano e que a cidade cresceu muito. Na avaliação dele, antes, os vereadores conversavam sobre tudo e agora estão dispersando, sendo que estão tratando de coisas muito sérias.

O vereador deixou claro que não assina nada sem estudar antes. “Há quase 40 anos faço parte de uma igreja séria, onde aprendi a ser cidadão. Eu espero que a paz retorne, pois precisamos tratar de vários assuntos de forma séria”, concluiu Ronaldo Amâncio.

O vereador Cleomar Barbeirinho (PHS) chegou assinar o requerimento, mas logo em seguida retirou a assinatura, alegando que faltou grupo, conversa e união. Ao se manifestar, ele parabenizou Mariscal, mas disse que o colega deveria ter procurado a Comissão de Saúde antes.

Fernando Mendes (PTB) cumprimentou Mariscal por levar tema tão importante ao Plenário e afirmou que a situação da saúde é lamentável. “Eu vou continuar mantendo a mesma postura e por isso vou assinar”, sentenciou. Segundo ele, tem muito respeito por todos, mas diariamente recebe reclamações sobre os atendimentos na área. “Eu vou cumprir a minha função de legislador”, acrescentou Mendes.

A vereadora Denise Max (PR) disse ter sido pega de surpresa, alegou que não age por vingança, e quer verificar se tudo o que foi mostrado aconteceu na atual gestão. “Particularmente, eu acho que a saúde melhorou, mas todos os vereadores têm o direito de investigar e de serem investigados”, disse ela.

Denise afirmou que pretende decidir se assina ou não o requerimento após analisar a situação com sua equipe jurídica. “Meu descontentamento com a Secretaria de Saúde e seus gestores é público e notório, mas não ajo por vingança ou revanchismo”, finalizou a vereadora.  

Até o fim da reunião, o requerimento apresentado por Mariscal, além dele próprio, contava com as assinaturas de Fernando Mendes e Edcarlo dos Santos Carneiro “Kaká Carneiro” (PR).

 

Fotos: Rodrigo Garcia/CMU

 

 

 

 

 

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